Ir para o conteúdo
Idioma: PT

Como um ônibus consegue aceitar um toque sem conexão?

Decidindo localmente. O validador confere o que consegue contra uma lista que ele já tem, registra a viagem, e manda o bloco quando tiver conexão da próxima vez. Tudo o que ele não conseguiu verificar na porta é um risco que a operadora decidiu carregar.

Por que sem conexão é o caso normal

Um ônibus atravessa túneis, trechos cobertos e pontos sem sinal, e uma porta tem de continuar funcionando durante todos eles. Até uma catraca fixa perde a linha de vez em quando, e uma plataforma subterrânea é o caso comum e não a exceção.

Então um validador é construído para funcionar sem rede e acertar as contas depois, que é a mesma restrição que a página do uso sem internet descreve para as tags e que a página sem dados descreve para os celulares.

O lado de quem viaja não é afetado, de propósito: o toque parece idêntico esteja o validador conectado ou não, e esse é justamente o ponto.

O que um validador decide sozinho

Ele consegue autenticar a credencial que está na frente dele, que é uma troca criptográfica e não uma consulta, e para isso ele não precisa de rede.

Ele consegue conferir o que já tem: uma lista de credenciais a recusar, um conjunto de regras de tarifa, um registro de se aquela credencial já foi vista naquele veículo.

O que ele não consegue é perguntar se a conta atrás de uma credencial bancária ainda tem dinheiro, ou se um bilhete comprado há dois minutos num celular existe. Qualquer coisa que dependa do mundo fora do veículo espera pela conexão.

Onde a credencial é da própria operadora e carrega um saldo guardado, mais coisas conseguem ser resolvidas na porta, porque o valor está no cartão e não numa conta em outro lugar.

O risco que a operadora aceita

Entre o toque e o acerto de contas, a operadora carregou uma viagem que ela não conseguiu conferir por completo, e uma parte delas vai acabar não sendo paga.

Isso é uma decisão comercial e não uma falha técnica: a alternativa é recusar passageiros toda vez que uma conexão cai, o que custa mais que as perdas. Toda lista de recusa é um meio-termo entre o quanto ela é recente e a frequência com que um veículo consegue ser atualizado.

É também por isso que uma credencial que falhou em outro lugar ainda funciona por um tempo, e por que ela acaba parando: a lista chegou ao veículo.

O que isso significa para quem viaja

Um toque que foi aceito a bordo não é uma transação concluída. Uma tarifa pode aparecer depois, uma recusa pode demorar, e uma viagem pode ser precificada horas depois de ter acontecido.

Um celular sem sinal também não é o problema que as pessoas supõem: a credencial está no aparelho e a troca é local, então o celular funciona no subterrâneo exatamente como funciona na rua, o que a página do modo expresso cobre pelo lado do desbloqueio.

O que importa mesmo é a bateria, já que um celular sem nenhuma não apresenta coisa nenhuma, e a página do celular desligado expõe o que sobrevive a uma bateria vazia.

Perguntas frequentes

O meu celular precisa de sinal para pagar uma tarifa?

Não. A troca com o validador é local, então ela funciona no subterrâneo e num túnel exatamente como funciona em qualquer outro lugar.

Como um ônibus consegue recusar um cartão que ele não consegue conferir?

Ele guarda uma lista de credenciais a recusar e a aplica localmente. A lista é tão recente quanto a última vez que o veículo foi atualizado.

Por que uma tarifa apareceu horas depois?

O validador registrou a viagem e a mandou quando teve conexão, e a precificação aconteceu naquele momento.

Um cartão bloqueado ainda funciona num ônibus?

Por um tempo, até a lista de recusa chegar àquele veículo. A operadora aceita essa brecha como o preço de aceitar passageiros sem conexão.