Um celular consegue configurar um aparelho que está desligado?
Dá, quando o aparelho carrega uma tag que o celular consegue alimentar: o celular grava a configuração na tag, e o firmware a lê da mesma memória quando o aparelho é ligado pela primeira vez. Alguns transponders vão além e rodam o próprio microcontrolador deles só com o campo.
Por que isso funciona
Uma tag tira a energia dela do leitor, o que a página da alimentação explica: o campo do celular é o que faz o chip rodar, então o aparelho em volta dele pode estar desligado da tomada, descarregado ou ainda lacrado na caixa. Nada na troca precisa que o produto esteja vivo.
O que torna isso útil em vez de curioso é o lado com fio de uma tag dinâmica. O celular grava numa memória que o microcontrolador consegue ler depois, então uma configuração atravessa de um para o outro sem nenhum dos dois estar alimentado no mesmo momento.
Gravar antes da primeira partida
O padrão tem três passos. O celular grava a configuração como uma mensagem NDEF, ou na memória própria do chip, enquanto o aparelho está desligado. O aparelho é ligado pela primeira vez, o firmware dele lê a tag por I2C ou SPI, e aplica o que encontra. A tag guarda os bytes, então uma redefinição de fábrica consegue voltar a eles em vez de voltar a padrões que ninguém escolheu.
Numa linha de produção é isso que compensa: um aparelho configurado dentro da embalagem, sem cabo, sem tela e sem caixa a abrir, o que a página da preparação descreve para tags em geral.
Rodar a partir do campo
Alguns chips fazem mais do que guardar bytes. A ficha técnica do RF430FRL15xH da TI descreve um transponder ISO/IEC 15693 com um núcleo MSP430, memória não volátil, um conversor analógico digital e um sensor de temperatura, cujo sistema de alimentação roda a partir de uma bateria ou do campo de 13,56 MHz.
Um celular consegue portanto disparar uma medição num aparelho sem bateria alguma, e ler o resultado no mesmo toque. O limite é a energia que há no campo: o que roda é o que a energia captada consegue mover, e a ficha técnica, não a ambição, decide o que é isso.
O que o firmware tem de prever
Conferir o que ele lê. A configuração foi gravada por algo que o firmware nunca viu, possivelmente por um celular que não é seu, então ela é entrada: confira a estrutura, confira as faixas, e guarde uma configuração de recurso para o dia em que a tag guardar dados sem sentido.
Proteger o que importa. Qualquer um com um celular consegue gravar uma tag desprotegida, então uma configuração que não pode mudar precisa da proteção própria do chip, que a página das opções de configuração lista e que a página da autenticação cobre do lado do código.
E gravar numa ordem que sobreviva a uma interrupção. Um celular afastado no meio da gravação deixa a tag no estado que ela alcançou, o que a página das gravações interrompidas resolve gravando o tamanho por último.
Perguntas frequentes
O aparelho precisa de bateria para isso?
Não. A tag roda com o campo do celular, então a configuração pode ser gravada com o aparelho desligado, descarregado ou ainda na caixa.
Como o firmware recebe a configuração?
Ele lê a mesma memória pela interface com fio da tag, I2C ou SPI, quando o aparelho é alimentado pela primeira vez.
Um celular consegue tirar uma medição de um aparelho sem energia?
Nos chips feitos para isso, consegue. A ficha técnica do RF430FRL15xH descreve um transponder com microcontrolador e sensores rodando a partir do campo.
O que impede outra pessoa de gravar a configuração?
Nada, a menos que o chip a proteja. Use a proteção que o chip oferece, e confira de qualquer jeito o que o firmware lê.